Martinho de Haro praticou a paisagem, a pintura de costumes regionais, a figura e a natureza-morta. Repercute, nas paisagens e nas vistas urbanas de Florianópolis, a lição de seu antigo professor na França, Othon Friesz: o colorido, de extrema suavidade, o desenho preciso e sensível e a composição bem estruturada adequam-se maravilhosamente à recriação daqueles espaços urbanos um pouco reproduzidos, um pouco imaginados, pelos quais invariavelmente passa uma carroça puxada a cavalos, quase como um leit-motiv.Os nus e os retratos são de boa fatura e sólida carnação, destacando-se especialmente esses, que fazia com evidente penetração psicológica.
Trajetória:
Martinho de Haro nasceu em São Joaquim em 1907, na serra catarinense, iniciando-se na pintura em Lages, em 1920. Em 1926 fez sua primeira exposição em Florianópolis. O governo do Estado, reconhecendo seu talento, concedeu-lhe uma bolsa para estudar na Escola Nacional de Belas do Rio de Janeiro, onde trabalhou na decoração da Igreja de Nossa Senhora da Pompéia em 1930, com o pintor João Timóteo, e na execução do panneau do Teatro Municipal, de 1930 a 1935, com o pintor italiano Eliseu Visconti. Ainda na década de 30, mudou-se para Paris com a família, onde estudou na Academia de La Grande Chaumiere e aprimorou seu talento nas aulas com o professor Othon Friesz. Seu filho Rodrigo de Haro nasceu na cidade. No início da Segunda Guerra, em função das restrições impostas, o pintor retornou com a família para o Brasil em 1939, permanecendo em São Joaquim até 1944, ano em que mudou-se para Florianópolis, passando a eternizar a rotina da cidade, em tinta a óleo. Através de seu traço é possível ver como era o Mercado Público muito antes dos aterros que o distanciaram do mar. O artista pintou a rica cultura herdada dos açorianos, transformada em mural no hall da reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina. Retratou, ainda, trajes de homens e mulheres nos momentos de festa ou de trabalho e passeios das famílias na Praça XV de Novembro, no centro da Capital, entre outros hábitos da época.
O Museu de Arte de Santa Catarina festejou o centenário de nascimento do artista com uma exposição de 130 obras, no período de 09 de outubro a 02 de dezembro de 2007.
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