
Vive e trabalha em São Paulo/SP.
Nasci na cidade de Florianópolis e meu primeiro contato real com arte aconteceu durante as aulas de ciências e biologia na escola. No colégio os meus cadernos de biologia e ciências eram todos muito ilustrados com desenhos feitos por mim a partir dos conteúdos que eu via em sala de aula. Foi então que o professor de ciências percebeu o meu interesse e me convidou para ajudá-lo nas aulas de laboratório, onde eu acompanhava o processo de dissecação de animais e depois desenhava a anatomia interna dos bichos. Foi esse professor que me apresentou o trabalho de Leonardo da Vinci e me fez entender pela primeira vez o desenho como manifestação artística.
Trajetória:
Aos 17 anos me mudei para Porto Alegre, e iniciei a faculdade de arquitetura. Em 1989 fiz a minha primeira viagem de estudos a Europa. Na época o meu interesse era em conhecer e investigar o trabalho dos artistas viajantes. À medida que o tempo passou minha carreira de artista foi se consolidando e eu continuei aperfeiçoando a minha técnica combinando desenho e pintura. Em 1999 fui conhecer a Floresta Amazônica no intuito de desenvolver um estudo aprofundado de sua fauna e flora.
No momento que voltei ao meu estúdio, comecei a questionar as minhas impressões sobre a natureza, a evolução e a ciência. Foi então que surgiu a série de trabalhos intitulada Catalogações/Coleções, na qual eu criei pequenas pinturas de insetos imaginados por mim em sua morfologia, anatomia e nomenclatura. Também usei alfinetes de verdade fixando as espécies nas telas, que foi exposta em um móvel entomológico feito de acordo com a tradição dos Museus de História Natural.
Após este projeto, voltei a pensar em minhas experiências anteriores no laboratório de ciências da escola – aqueles templos de silêncio e morte. Me alimentando dessas memórias e estudando os postulados da Teoria Evolucionista criei os Dioramas Cartesianos, “grandes telas com múltiplos animais ambientados em uma natureza quase etérea, mas com espaços individualizados, onde cada um ganha destaque próprio.” Mais uma vez presente a citação aos museus de história natural onde os Dioramas continham animais empalhados dispostos em um cenário que imitava seu habitat e compunha um recorte de sua existência no mundo.
“No entanto, quando nos postamos frente a essas imagens meticulosamente pintadas, vamos percebendo aos poucos que ali não se trata exatamente de representações naturalistas de animais que povoam o cotidiano das matas do país. Na seqüência percebemos também que , de fato, a verdade supostamente inerente à estética naturalista não passa de um mito passível de ser questionado por um talento mais perverso.
Como se tivesse deixado se impregnar pelo espírito de um artista viajante europeu ou americano do século XIX – tornando completamente louco frente à exuberância e ao esplendor da natureza brasileira – , Walmor B. Corrêa pinta seres totalmente improváveis , muito embora possuam uma familiaridade tornada horripilante.
Híbridos de mamíferos e insetos, pássaros e peixes, mamíferos e aves , mamíferos e peixes, esses seres criados por Walmor B. Corrêa falam de um mundo fantástico, representam a taxidermia de uma fauna fantástica que perturbam nossa percepção , sobretudo pelo fato de que , na atualidade, eles não se apresentarem mais como meras alucinações artísticas , mas como possibilidades científicas…”
Em 2002 fiz uma nova viagem a Fernando de Noronha, ilha no Nordeste Brasileiro com uma das maiores reservas ecológicas do país. Durante a viagem pude observar diversas espécies marinhas, pássaros e também répteis que passei a combinar e descrever de maneira separada. Os dioramas tiveram os seus habitantes separados em espécies individuais descritas em termos de estrutura interna, hábitos, habitat e outras características que pudessem descrever sua existência híbrida como cientificamente plausível.
Posteriormente a série de Apêndices originou a série dos Esqueletos, onde eu revelo a estrutura óssea das espécies descritas nos Apêndices. Os grandes esqueletos monocromáticos onde ” a intenção quase obsessiva de catalogação parece chegar a seu extremo, nomeando todos os ossos de forma didática. É como se intencionasse despi-los de qualquer elemento complementar de encantamento. Agora é o esqueleto em sua essência, pureza, força, crueza lembrando um designo de morte, ou os restos de uma vida inexistente, mas sem morbidez. Porém, permanece ainda a mesma intenção do olhar clinico, sem emotividade, mas que continua envolvente.”
Em 2004 mostrei as 16 telas da série Catalogações/Esqueletos na 26ª Bienal de São Paulo. No momento estou finalizando o projeto Unheimlich (Freud)- o que é estranho, não familiar, rude; comecei com a pesquisa de livros escritos por folcloristas brasileiros a partir dos quais escolhi mitos populares para representar em termos fisiológicos e anatômicos.Decidi retirar essas espécies do imaginário popular brasileiros e trazê-las à luz da ciência.
Walmor Correa

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